Nossa própria sexualidade

A sexualidade é um fator inerente à espécie e base de todo comportamento humano, estando presente em tudo que fazemos, pensamos ou sentimos, já a prática sexual é apenas um dos canais por onde a sexualidade se manifesta; assim sendo, sexualidade é diferente de pratica sexual.

No período infantil o desejo não tem relação com a prática sexual, ele está correlacionado com as demandas de nutrição e cuidados. Busca atrair a atenção da mãe para que suas necessidades sejam supridas, vê o pai como um obstáculo na busca pela necessidade de satisfação e prazer. É um padrão de comportamento inerente à espécie na busca pela sobrevivência fisiológica, psicológica e psíquica.

Por volta dos 3 anos, o infante tende a desejar o genitor do sexo oposto ao seu, e a tornar-se rival do outro genitor, é o que a psicologia denomina ‘complexo de édipo”, um padrão universal que perdura até a puberdade, fase na qual o desejo canalizado para os pais vai se decantando devido à ausência da satisfação esperada, levando o infante a renunciar a seu objeto de desejo e a reprimir esse sentido.

A puberdade é a última fase, é nela que a organização sexual se dá por completo. Nesse período, ambos os sexos já são mais conscientes das diferenças entre si e estão em busca de satisfazer suas necessidades, buscar conforto para a dor que estão sentindo.

Na fase adulta, esses sentires estão voltados para a prática sexual, reprodução e nutrição da prole.

Em tudo o que fazemos e sentimos estamos sendo guiados por essa energia sexual, é ela que dá o pulso para alcançarmos nossos objetivos, quer seja no âmbito afetivo, que diz respeito a seduzir o outro para conseguir o que se almeja, seja na prática sexual propriamente dita, seja buscando o carinho dos pais e familiares, tudo está voltado a suprir uma necessidade latente e sentida, que necessita ser aplacada.

Essa energia também vem na forma de pulso para o trabalho, na escolha e desempenho da profissão, garantindo que busquemos o suprimento de nossas necessidades financeira e, consequentemente, fisiológica e emocional.

Tudo em nossa vida é guiado por esse pulso que denominamos de desejo, desejo de ser, de ter, de fazer, de saber…

Tentando buscar a raiz desse comportamento, vemos que é universal, todo ser humano necessita desse pulso; o que diferencia um indivíduo do outro são sua herança genética e sua formatação de 0 a 3 anos; tudo nos foi transmitido ou introjetado em nós, e hoje respondemos ao meio de acordo com essa bagagem.

Observar nossa herança genética a partir de nossos familiares, seus comportamentos, opções sexuais, direcionamento nas atividades que se propõem realizar, suas tendências, sejam elas mais passivas ou ativas, tudo isso nos dá parâmetros para sabermos um pouco mais de nós mesmos e percebermos porque gostamos de algo, por que motivo agimos de determinada maneira e como nos comportamos em diferentes situações. Até nossa orientação sexual está diretamente relacionada aos desejos de nossos pais, mesmo que esses desejos tenham sido reprimidos, não confessados e não admitidos por eles mesmos. Somos uma mescla do que herdamos e dos estímulos do meio.

Poder perceber essa energia sexual, esse pulso de vida em nós mesmos, garantirá que consigamos lidar com ele e não sejamos reféns de sentimentos e comportamentos que nos direcionam sem nossa escolha. Muitos abusos sexuais seriam evitados se esse instinto em nós fosse mais bem compreendido, muito de nossa ira e raiva também, sentimentos que nos levam a agir de forma desordenada, que nos acarretam danos e, consequentemente, para a sociedade em que estamos inseridos. Uma energia sexual, um pulso bem direcionado nos permitirá ganhos em todos os âmbitos de nossa vida e, assim, melhor domínio sobre nosso existir.

Hoje, com os estímulos do STS, pude entrar em contato com esse pulso em mim, pude perceber minha herança genética e como ela influenciou e influencia, até hoje, meu comportamento. Verifiquei também aspectos relacionados à minha formatação, à forma como me conduziram na infância, e pude constatar que a pessoa que sou hoje é o resultado desses acúmulos de informações, e que nada pude fazer nesse percurso a não ser absorver o que me foi trazido, pois não era consciente, não podia escolher. Tudo que vivi reflete-se na pessoa que manifesto na atualidade, na maioria das vezes não sei por que motivo gosto ou não gosto de algo ou alguém, não sei ao certo o real motivo de minhas escolhas, no que elas se embasam, mas, mesmo assim, vou vivendo, deixando que essa herança, ainda não vista por mim, me conduza.

Hoje, mais alerta, consigo ver, em minhas movimentações, características herdadas e captadas do meio e posso acalmar-me com o que vejo em mim; meus conceitos de “certo” e “errado” estão um pouco mais apaziguados e, diante disso, consigo perceber que o que julgava errado, feio e até incorreto está em mim, está em todos os seres, pois todos fomos constituídos da mesma maneira; cabe-nos, a nós, buscar entendimento para estas questões.

Ver minha história possibilita-me dar direção à pessoa que estou, e isso venho conseguindo realizar em alguns aspectos. Assim, eu, pessoa manifesta, meu pulso sexual na figura da fêmea em mim e minha criança interior, tentaremos juntas vislumbrar e dar melhor direção e sentido a esta existência, um pouco mais esclarecidas do contexto e menos castradoras de nossas atitudes. Conseguir perceber meu movimento e de antemão direcionar esses comportamentos é um ganho que nunca imaginei ser possível realizar, mas hoje sei que é, e que consigo quando atenta a mim mesma.

Agradeço por todos os estímulos e a todos que de alguma forma contribuíram para meu autoencontro. Seguirei rumo a mim mesma.

Educadora: Silvana G. Garcia

Núcleo de Birigui

 


Contos e Autoencontros

A não compreensão e entendimento do mundo interior levam-nos à busca de efetivar meios de auto-observação, para que fiquem visíveis atitudes e sentimentos que nos movimentam. Um dos meios para observarmos nossas movimentações é a descrição do nosso percurso como educador de essencialidades. O texto publicado anteriormente é uma autodescrição resultante de um projeto elaborado pelos Educadores de Essencialidades do Núcleo de Aprendizagem de Birigui do Sistema Tempo de Ser, dentro da atividade do grupo vespertino de Prática de Inteligência Mediúnica. O projeto tem como proposta a exposição ao meio social das repercussões dos estímulos de autoaprendizagem aos educadores de essencialidades nos ambientes do Sistema Tempo de Ser. Durante sua execução, tem sido considerado que o “autoencontro” pode ocorrer a partir da auto-observação e autodescrição dos “Contos” (história imaginada) que permeiam a existência humana.

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