Vivemos em um tempo perturbador, em que se sente cada vez mais falta do tempo.
Um tempo em que, por mais que se faça, sente-se que falta tempo para fazer mais.
Somos os legítimos representantes de um tempo que nos submete a fazer cada vez mais em menos tempo. E sequer temos tempo de contemplar o que foi feito, pois já é hora de fazer mais.
Que tempo é este que se corre contra o tempo e nunca se tem tempo para nada?
Que tempo é este em que sobra tempo para tudo, menos um tempo para mim?
Ah… que saudade do tempo em que eu tinha tempo para não fazer nada. Quando podia deitar embaixo do céu estrelado e admirar as estrelas, quando era possível ficar mirando as nuvens e imaginar figuras, por horas e horas, sem preocupação com o tempo ou a sensação angustiante de estar gastando o próprio tempo.
Mas esse tempo já se foi e nem as crianças de hoje têm esse tempo… já crescem pressionadas a correr contra o tempo, inquietas por não perder tempo, e o tempo da infância passa rápido e quando menos perceberem foi-se o tempo de ser criança, sem ter tido tempo para sê-lo.
Tenho pensado na importância de dar um tempo de tanto fazer… quem sabe se aquietar-me diante do inevitável correr do tempo eu encontre aquilo que tanto busco na correria no tempo: Eu mesma!
Cláudia Carvalho – NA-BRU