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É necessário nascer para si mesmo

Qual a sua origem? De onde teve início tudo o que, hoje, você é? Onde iniciou o percurso de todos os traços físicos, emocionais, comportamentais da pessoa que você é? De onde partiu cada passo que culminou nos traumas, dramas, sofrimentos, aprendizados, prazeres da vida?

No centro da história humana encontra-se a preocupação em esclarecer a origem de todas as coisas. Temos registros, de acordo com as diversas culturas e períodos históricos, das narrações poéticas de mitos que tratam da origem de tudo o que existe.

Anuncia o poeta Hesíodo, em Teogonia, “bem primeiro nasceu caos”, indicando o primeiro deus fundador de toda a ordem que constitui o cosmos, da mais simples célula até todo o universo. Nas escrituras antigas, na bíblia, encontramos, na gênese 1, que “no princípio Deus criou o céu e a terra. Era a terra sem forma e vazia e trevas cobriam a face do abismo”.

Um dos símbolos mais fortes no ocidente é o nascimento de Jesus através da Mulher Maria. Seu aparecimento é precedido por uma forte estrela no céu que anuncia a vinda de algo divino. A correlação entre a sua presença e a luz é constituída na narração simbólica, denotando sinal da vinda de esclarecimentos do que até então era ignorado. A manjedoura, utilizada para colocar comida para o gado doméstico, tornou-se um recipiente para abrigar a criança após o nascimento, descrevendo a integração de uma presença divina na pele humana, em sua finitude passível de impotência, carência, dependência e fragilidade.

A linguagem mítica e religiosa é simbólica. A narrativa simbólica das tradições religiosas e mitos antigos é uma forma de nos relacionarmos com os fenômenos desconhecidos. Um símbolo tem a função de unir ou integrar, em uma única imagem, diferentes significados de polos opostos. De certo modo, um símbolo serve como uma ponte que integra o conhecido e o desconhecido experimentados na intimidade de cada um.

Há algo de sagrado quando lidamos com símbolos ou experiências humanas que nos remetem à origem. O surgimento da vida, o nascimento de um filhote ou uma criança é tratado como uma experiência que requer muitos cuidados ante a fragilidade que envolve o nascimento.

Nesse caso, é interessante notar que se vive, em toda origem, uma experiência de dor, fragilidade, de algo desconhecido que vem à luz e, ao mesmo tempo, de renovação da vida, onde o caos vai ganhando ordem, possibilitando entendimento do que até então não tinha forma ou era ignorado.

Quando uma criança nasce e, na sequência, se une ou se integra ao corpo da mãe, estamos diante da representação ou símbolo máximo de nossa origem como seres humanos. A extensão da pele do corpo da fêmea que nos abriga, em um primeiro abraço, é a manjedoura da presença frágil do filhote humano. É a partir dela que damos início à ação de existir no mundo.

Considerando que os símbolos integram o conhecido e o desconhecido, o desconhecimento dessa relação primordial, entre mãe e filho, representa o desconhecimento sobre nós mesmos. E respeitando a grandeza e a legitimidade das narrações religiosas e míticas, a união entre uma mulher e seu filho, após o nascimento, fala mais de nossa origem do que qualquer outra coisa como seres humanos.

É dela, da fêmea que deu origem a uma nova vida, que provém a primeira relação, os suprimentos de cuidados, afeto e nutrição. É, sobretudo, a partir dela que começamos a ter noção sobre o que somos. É através dela que vamos organizando nossa intimidade do caos até à ordem com formas simbólicas imagéticas, das fantasias infantis, da linguagem, da afetividade. De certo modo, nosso mundo interno – dos horizontes conhecidos aos desconhecidos – foi constituído na interação com ela e, certamente, repercute em nossa vida adulta. A vida íntima são fragmentos de uma história vivida e sentida, sobretudo, com a figura materna.

Se considerarmos o que o texto argumentou acima, de que nos mitos a origem surge do desconhecido ao conhecido, e que a função dos símbolos é integrar elementos desconhecidos e conhecidos da nossa intimidade, nascer para si mesmo é necessidade para aqueles que anseiam tornar visível o desconhecido em si mesmo. E, nesse caso, nascer para si mesmo requer olhar em direção à origem e reconhecer a realidade do nascimento humano, tal como a vivemos. Nesse modo de ver, o natal e o ano novo nos impõem outro significado e sentido. De que a própria intimidade desconhecida segrega uma presença singular e autêntica que aguarda o nascimento para si mesmo. E que o homem é a manjedoura a partir da qual precisa repousar uma presença inteligente e sensível para direcionar o ser humano a um sentido digno. Mas, como realizar esse grande intento de nascimento em si mesmo sem autoconhecimento? É preciso começar.

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