Um lugar para falar de mim

Um lugar para falar de mim

Em algum momento de sua vida, pelo menos uma das questões abaixo invadiu sua mente?

  • O que me oprime? Por que sinto isto?
  • Por que falo coisas, tomo atitudes e tenho pensamentos que eu mesmo condeno?
  • Por que não consigo fazer o que eu quero?
  • Será que a criança que fui influencia o adulto que sou hoje? Como?

Já tentou conversar abertamente com alguém sobre isso e sentiu-se julgado ou, outras vezes, percebeu que nem foi ouvido?

Para começar a compreender o que se passa em nossa intimidade é necessário, primeiro, admitir que existe algo em nós que desconhecemos e não sabemos definir. A partir desta necessidade de conhecer, é possível descortinar o mundo interno que nos constrange e comanda.

Muitas vezes, não conseguimos traduzir os fenômenos que ocorrem na nossa intimidade porque são inconscientes, mas sentimos seus rumores.  Se explorarmos este fenômeno, ele se tornará consciente para nós.

No Sistema Tempo de Ser temos ambientes e recursos que possibilitam este diálogo e estimulam o desenvolvimento da auto-observação, gerando conversas francas que vão ajudando o indivíduo a entender o que acontece dentro de si.

Não podemos dar autoconsciência para ninguém, mas podemos estimular seu desenvolvimento a partir do interesse que o indivíduo tem por si mesmo.

Em nossos estudos, admitimos e aprofundamos nossos conhecimentos na existência do inconsciente como uma estrutura psíquica encoberta pela consciência.  Dividimos o inconsciente de duas maneiras para entendermos melhor:

  • O Inconsciente como Objeto (estrutura) – O Inconsciente como objeto é entendido como uma estrutura que mantém e organiza os conteúdos, os registros, e guarda as informações. Tudo que, um dia, passou pela consciência de alguém, está no seu inconsciente e pode ser acessado. É como um arcabouço. Os conteúdos fundamentais e essenciais, que estão no Inconsciente como objeto, aconteceram através da interação:

Humano X Humano     e      Humano X Ambiente

Através do desenvolvimento cerebral que da Zona Consciente foi formada, possibilitando a identificação em um corpo próprio, as noções do ambiente, a vida de relação (convivência) entre os homens e o ambiente e, por fim, o surgimento de um mundo integrado pelos conceitos e valores de cada época.

Existe um circuito de informações e conhecimentos construídos e constituídos que se manifestam nos padrões de comportamento (ações, impulsos, reações) que, muitas vezes, contrariam tudo aquilo que gostaríamos de ter constituído como realidade.

Este conjunto informativo dá rastros do que foi constituído, porém, muitas vezes, estes rastros contrariam os nossos próprios objetivos e quereres. Assim, vem à nossa mente a vontade de mudar, de alterar um sentir ou um comportamento e, aí, percebemos:

“Eu quero mudar, estou tentando, mas não consigo!”

É o Inconsciente ditando e estabelecendo padrões de como a vida se manifesta ou ganha forma. Nele estão os esconderijos mais profundos, os mistérios e as informações preciosas sobre a vida que somos, tendo ação específica em cada um de nós. Ele é fonte abundante onde somente o autor das informações será capaz de desvendá-las e torná-las conhecidas para si mesmo.

Tornar consciente o inconsciente é nosso grande desafio, pois, mesmo convictos da sua existência, não conhecemos o que ele reserva.

Freud defendia que apenas uma pequena fração das nossas memórias se encontra ativada, demarcando os limites da consciência. Todas as demais estão em estado latente, ou seja, escondidas ou reprimidas. Ele representa essa ideia usando a metáfora do iceberg como um modelo da mente, onde a maior parte está submersa e a atividade mental consciente corresponderia apenas ao topo visível.

Tal estrutura é virtual, automática, atemporal, dinâmica e amoral.

De vez em quando, o inconsciente interage com a consciência; os resultados desta ação vão depender de como lidamos com ela.

  • O Inconsciente como Caráter (característica) – Embora inteligente e sensível, o ser humano é impulsionado por uma força mecânica, ou piloto automático, que o conduz, independentemente de sua deliberação e vontade. Esta ação é movida por conteúdos desconhecidos da nossa mente, conteúdos que são inconscientes para nós.

O humor, por exemplo, é uma saída que usamos em situações vexatórias, constrangedoras.

O Chiste e o ato falho são maneiras que o inconsciente utiliza para se manifestar. Através delas, surge a agressividade reprimida, “erros” na linguagem, no comportamento ou de memória que, na verdade, não são erros. Por outro ponto de vista, estes erros são acertos. É aquele famoso: “Foi sem querer, querendo”.

Para complementar a visão do homem, traduzido como um comportamento, Jung escreve que nós nascemos com uma herança psicológica somada à herança biológica, e, ambas, são determinantes essenciais do comportamento e da experiência.

Na infância, de 0 a 3 anos, nós não participamos da nossa formação porque estávamos em construção, ainda frágeis e dependentes. Então, todo este período, é, para nós, inconsciente; no entanto, não quer dizer que ele não exista. Estas foram as nossas primeiras percepções de mundo, de convivência, de sentir, de captar.

É possível que o corpo cresça, se desenvolva, envelheça e morra sem que conquiste o amadurecimento psicológico?

Partimos da premissa que todos somos, em maior ou menor grau, prisioneiros de nossas infâncias, presos a um tempo que foi determinante para a estruturação da personalidade adulta.

A maior parte da humanidade é constituída por adultos infantilizados, ávidos por serem aceitos e validados e que ainda carregam, em si, as feridas e cicatrizes do período infantil, determinando os padrões de comportamento na idade adulta.

Você já se sentiu dependente, frágil, inseguro, egocêntrico, imitando ídolos, voluntarioso, com dificuldade de tomar decisões, vivendo de ilusões ou, ainda, percebeu-se lidando, de forma superlativa, com as crises? Ou mais, de maneira mais fácil, percebeu estas características em alguém de sua convivência?

Infantilmente, muitos seres humanos crescem no âmbito fisiológico e passam a existência suspirando por um mundo irreal que só existe na mente infantil e, com isso, não crescem no âmbito psicológico, continuando imaturos, emocionalmente, vivendo inúmeros conflitos devido às suas buscas ingênuas e, com o tempo, grande parte experimenta quadros mais intensos de dissociação da realidade.

Trauma

A fase existencial em que estamos mais propensos à formação de traumas é a infância, pois a criança está muito mais exposta devido à grande vulnerabilidade e dependência de que é portadora. Traumas são acontecimentos que, pela própria imaturidade emocional, a criança não consegue elaborar por si mesma.

Esses abalos são interpretados, de maneira imaginativa, pelas poucas referências que a criança tem para compreender, além de serem transferidos para uma zona inconsciente como uma manobra defensiva para sobreviver emocionalmente, elaborando esconderijos psíquicos, dissociações da realidade e juramentos infantis.

Se uma sensação real – relacionada à situação traumática – for reprimida, esta se manifestará de forma intensa, e por meios diversos, sem que o indivíduo tenha qualquer possibilidade de atuar sobre si, pois, tudo o que é reprimido, gera uma força contrária que emergirá e tornará visível seu conteúdo, seja por meio de doenças físicas e psíquicas, seja pela materialização de quadros semelhantes.

Nós criamos situações de trauma constantemente, ciclicamente.

Entendemos que os indivíduos necessitam desenvolver o autoconhecimento porque desconhecem a si mesmos e são inconscientes quanto aos fatores internos que ocorrem em si, causando dramas sociais de todas as ordens.

Através do desenvolvimento do autoconhecimento, com base na Pedagogia “Educação de Essencialidades”, somos estimulados à autogestão.

Da autoaprendizagem resulta a adaptação ao que foi observado e a administração daquilo que surge mediante o que percebeu, ou seja, o indivíduo, antes governado e aprisionado por seus desejos e pulsões, por suas tendências infantis, pelas circunstâncias, pela opinião alheia, pelas heranças conceituais, passa a ser dono de si mesmo.

Não se trata de conhecer com a finalidade de reprimir ou mudar, mas de aceitar-se como é.

A autoaprendizagem apresenta-se então como uma possibilidade da autorresponsabilidade e da ética, pois compreendendo a si, o indivíduo naturalmente se reconhece como causa interna de seus pensamentos, sentimentos e ações, percebendo o outro e estendendo esta compreensão a todos em seu entorno.

Os ambientes do Sistema Tempo de Ser possibilitam este mergulho.

Por Gilda Alves Bomba Leme e Ticiane Bellusci Galindo – Educadores de Essencialidades do Sitema Tempo de Ser

2018-07-29T18:32:07+00:00 29/07/2018 |Autoconhecimento, Núcleo de Londrina|0 Comentários

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