Equívocos sobre a corrupção: afinal, quem é corrupto?

Equívocos sobre a corrupção: afinal, quem é corrupto?

Porque equívocos?

A corrupção é um dos assuntos mais discutidos pela população brasileira na atualidade devido aos vários fatos que estão se tornando visíveis a partir da investigação de comportamentos dos políticos representantes desta população. No entanto, a corrupção é abordada, na maioria das vezes, como um crime que deve ser extinguido ou, pelo menos, minimizado na sociedade. Por isso, utilizamos o conceito “equívoco” – algo que pode ter mais de uma interpretação – para instigar nosso interesse em nos aprofundar nesse assunto que vai além do conceito de um crime na intenção de se colocar ordem para um convívio em sociedade.

A partir dos conceitos existentes e de nossas auto-observações com relação aos comportamentos humanos, trouxemos a proposta de aprofundar o olhar à corrupção, refletindo sobre o que leva à situação de algo corromper-se e se há uma finalidade para que algo se corrompa ou seja corrompido. Mas, para isso, é necessário também que voltemos nosso olhar para nós mesmos, para a observação de nossos comportamentos e anseios.

A corrupção e o comportamento humano

Considerando a corrupção como o ato ou efeito de corromper ou de se corromper, decomposição ou adulteração, podemos observar que muitas coisas na natureza são corrompidas ou se corrompem como, por exemplo, uma fruta que se levou para casa com a intenção de se alimentar dela, mas não se a utilizou para esse fim e ela se decompôs. Neste caso, podemos dizer que a fruta não cumpriu sua função de alimentar.

Ao transferirmos o ato de corromper para o comportamento humano, podemos observar situações que criamos para chegarmos a determinado fim ou alcançarmos determinado objetivo, mas que, em algum momento do percurso, nos desviamos desse objetivo – perdemos o foco – e a situação que criamos começa a corromper-se ou adulterar-se, indicando que não está cumprindo mais sua finalidade, não está cumprindo mais a função para a qual foi criada.

Podemos observar este comportamento tanto nas pessoas de nossos representantes políticos, que estão perdendo o foco do objetivo comum desviando o percurso de investimentos financeiros públicos, quanto em nossa rotina diária ao investirmos recursos financeiros em situações ou objetos que não usufruímos como, por exemplo, pagar mensalidade de academia e não comparecer ou não realizar os exercícios de maneira funcional. Seria isto uma autocorrupção? Neste caso, estamos perdendo o foco do objetivo de cuidar da saúde, podendo, inclusive, ter a ilusão de que estamos cuidando.

Em ambas as situações expostas anteriormente podemos observar que uma situação, um sistema ou um objeto não cumpriram o objetivo a que foram criados ou organizados, e é justamente nesta linha de raciocínio que pretendemos aprofundar mais ainda a reflexão sobre este assunto. O foco da nossa reflexão está em associar a necessidade e funcionalidade da existência humana e a corrupção. Para tanto, vamos refletir sobre nossos comportamentos na fase adulta em que estamos.

O homem e suas dimensões

Antes de falarmos sobre a fase adulta, vamos resumidamente definir o ser humano, conforme a construção do conhecimento nos ambientes do Sistema Tempo de Ser (STS). Para tal sistema, o homem é um ser constituído de três dimensões ou áreas: psíquica, psicológica e fisiológica. As três áreas devem estar em sincronia e harmonia, sendo a área psíquica a mais próxima do que chamamos de “Eu”, do “ser em si”.

Em síntese, o homem é um ser psíquico inconsciente, composto de inteligência (mecanismos psíquicos) e de sensibilidade (capacidade de sentir), com padrões psicológicos e manifestações fisiológicas. Ele é a manifestação mais aprimorada do ser psíquico, com padrões de comportamento específicos e um corpo (cérebro) que o diferencia dos outros animais. Em sua existência, o ser humano passa por fases – infância, puberdade, adolescência, idade adulta e velhice – em que cada uma apresenta características naturais específicas, fisiológicas e psicológicas. Consideramos que nossa dimensão mais íntima e invisível, a psíquica (o ser), é inconsciente de si mesma e que a transição por todas as fases da existência humana é para que ocorra o processo de autoconsciência do ser em si mesmo a partir do exercício do autoconhecimento.

Os comportamentos infantis na fase adulta

Como seres humanos, organizamo-nos em um sistema para possibilitar a nossa convivência e, ao observarmos nosso comportamento na fase adulta, como cidadãos que têm a possibilidade de escolher seus representantes políticos na organização de uma sociedade democrática, podemos perguntar-nos: será que realmente vivemos a democracia e exercemos nossa cidadania?

Desde o início de um processo eleitoral até a administração exercida pelo representante eleito, podemos observar várias atitudes dos seres humanos envolvidos nesse processo, como, por exemplo: (1) esperar que o governante compreenda e faça o que eu quero e necessito; (2) ficar reclamando quando não concordo com a administração do governante e não oferecer nenhuma proposta; (3) acreditar e confiar plenamente no governante que eu contribuí para que fosse eleito.

Considerando os exemplos anteriores, podemos perceber as seguintes características: no exemplo 1, a dependência e o egocentrismo; no exemplo 2, a fragilidade; no exemplo 3, o coletor não seletivo e a confiança irrestrita em alguém que considero superior. Todas estas características são naturais do comportamento humano na fase infantil, aproximadamente de 0 a 8 anos, enquanto as características naturais do ser humano na fase adulta são, ou pelo menos deveriam ser: plena responsabilidade por suas ações; criar por si mesmo; autonomia emocional, entre outras.

Com isso, reformulamos a questão do parágrafo anterior: será que realmente vivemos a democracia e exercemos nossa cidadania com comportamentos infantis?

Um olhar além…

A partir destas observações, podemos considerar que estamos em corpos (fisiológico) de adultos manifestando comportamentos (psicológico) infantis. Assim, observamos que estas duas dimensões do ser humano não estão em sincronia ou harmonia, pois crescemos fisiologicamente, mas ainda somos imaturos emocionalmente, carentes internamente de algo que buscamos incessantemente em tudo que nos é externo, menos em nós mesmos.

Considerando as descrições da presença de comportamentos infantis na fase adulta, a necessidade e funcionalidade da existência humana para a possibilidade de autoconsciência psíquica (consciência de si) e a corrupção como um indicativo de que algo não está cumprindo sua função para determinada finalidade, encerramos com as seguintes questões:

Manter o comportamento infantil na fase adulta é uma forma de corrupção?

A existência humana está cumprindo o seu objetivo?

Todas estas questões e tantas outras são discutidas durante as atividades do STS, que é uma Instituição Educacional criadora da Pedagogia de Educação de Essencialidades, método que estimula o autoconhecimento para o desenvolvimento da autoaprendizagem e autoeducação e consequente exercício da autonomia – comportamento natural da fase adulta.

Por: Daniene Tesoni Cassavara Ribeiro e Mauricio Rogerio Ribeiro de Jesus – Educadores de Essencialidades do Sistema Tempo de Ser

2018-06-06T23:28:34+00:00 06/06/2018 |Autoconhecimento, Núcleo de Birigui|3 Comentários

3 Comentários

  1. Renato Otto 08/06/2018 em 4:26 am - Responder

    Muito boa a discussão e os argumentos apresentados!
    Sob estas perspectivas, podemos então, afirmar, que o que muitos tratam como uma crise de representação, ao dizerem do momebto político que estamos vivendo, nada mais é do que uma crise dos representados e não da representação. Ou seja, nós estamos corrompidos em nosso princípio e os políticos, portanto, estão nos representando muito bem.

    • Maurício 11/06/2018 em 11:07 pm - Responder

      Pois é, Otto. Mecanismo funcionando como um “relógio suíço” (perfeitamente) em um ser que necessita auto-observar-se para despertar… Obrigado, amigo, pela sua conclusão. Abraços

  2. Maurício 12/06/2018 em 12:46 am - Responder

    Pois é, Otto. Mecanismo funcionando como um “relógio suíço” (perfeitamente) em um ser que necessita auto-observar-se para despertar… Obrigado, amigo, pela sua conclusão. Abraços

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