Como lidar com o aumento da violência nos dias atuais?

No Dicionário Priberam da Língua Portuguesa o significado de violência é:

(Substantivo feminino)

1. Estado daquilo que é violento, 2. Ato violento, 3. Ato de violentar, 4. Veemência, 5. Irascibilidade, 6. Abuso da força, 7. Tirania, 8. Opressão.

8. [Jurídico, Jurisprudência] Constrangimento exercido sobre alguma pessoa para obrigá-la a fazer um ato qualquer; coação.

Vamos elencar, aqui, alguns tipos de violência de uma forma geral; não significa que ocorram com todas as pessoas, mas, com certeza, vamos identificar alguns que permeiam nossa vida diária.

Violência emocional: qualquer comportamento de uma pessoa que visa a fazer o outro sentir medo ou sentir-se inútil como, por exemplo, ameaça aos filhos, magoar os animais de estimação, humilhar o outro na presença de amigos, familiares ou em público etc.

Violência social: qualquer comportamento que intente controlar a vida social de outro, através de impedimentos de visitas a familiares e amigos, restrição no uso de telefones, trancar em casa, frequentar uma religião, um grupo de estudos etc.

Violência física: qualquer forma de violência física como, por exemplo, esmurrar, pontapear, estrangular, queimar, induzir ou impedir que outro obtenha medicação ou tratamentos, amarrar, estapear etc.

Violência sexual: qualquer comportamento em que é usada a força para a realização de atos sexuais que outro não deseje ou não permita.

Violência financeira: qualquer comportamento que intente controlar o dinheiro de outrem sem que ele permita, por exemplo: retirar um apoio financeiro, obrigar a entregar o salário etc.

Perseguição: qualquer comportamento que vise intimidar ou atemorizar o outro.

Todo ser humano sente-se ameaçado com alguma coisa, temendo que algo coloque em risco a sua vida ou a de seus familiares e amigos, mas nem tudo que ameaça um ser humano ameaça necessariamente a outro. Quando estamos assistindo a um noticiário, uma notícia de violência pode constranger-nos mais que outras, ou algumas nem chegam a preocupar-nos, por exemplo, a queda da barragem de Brumadinho: (onde moro não há barragem), portanto, por mais que nos solidarizemos com aquelas pessoas, não fará parte da nossa rotina esse medo. Já no ataque à escola de Suzano, se tivermos filhos em idade escolar ou formos algum tipo de funcionário de escola, fará parte do nosso dia a dia. 

Sendo assim, vamos colocar em gráfico o que um grupo de pessoas, quando convidado a descrever sobre violência, pontuou como medo em sua rotina diária.

  1. Qual a violência que você detecta que vem do exterior e que o atinge ou pode atingir?
  • Qual a violência que você detecta que sai de você e vai para o meio onde vive?
  • Qual a violência que você detecta de você para você mesmo?

Análise: No primeiro gráfico sentimo-nos soterrados com a violência que vem de fora causando todo tipo de stress, medo, doenças e tudo que podemos pensar. E é de fácil identificação, pois somos seres que costumamos culpar tudo que nos atinge.

No segundo gráfico, o nosso comportamento em relação ao exterior é tão ou mais violento que o do primeiro gráfico, mas, mesmo assim, temos a justificativa de que o que sai de nós é por conta do que vem de fora.

No terceiro gráfico já não temos justificativas para culpar o meio, pois sou eu comigo mesmo.

Portanto, invertendo a ordem dos gráficos, verificamos que toda violência que em primeiro lugar o ser provoca em si mesmo, sai para o meio e volta da mesma forma. “Violência gerando violência”.

Podemos, então, questionar: se um ser humano gera tudo isso e vivemos em bilhões deles, o mundo poderia ser menos violento? Fica claro, aqui, que não.

Mas, se porventura um ser humano começasse um processo de autoconhecimento e fosse descobrindo como ele funciona, e quais os mecanismos que o regem, seria possível detectar essa violência em si mesmo e minimizar o que joga para o meio, e, consequentemente, trar-lhe-ia o meio menos violência? E se em vez de um forem muitos, até atingir os bilhões, seria possível a diminuição da violência?

Fica aqui registrada esta análise feita com um pequeno grupo de pessoas que participaram deste debate.

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Por Edna Martin Bertholdo – Educadora de Essencialidades do Sistema Tempo de Ser.

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