Autoconhecimento: como desenvolver

Autoconhecimento: como desenvolver

Na atualidade, observa-se que o tema Autoconhecimento aparece estampado em vários discursos, seja no âmbito do trabalho, nas relações interpessoais, em terapias, por diversas linhas de pensamento. Também podemos observar o tema Autoconhecimento relacionado à busca de espiritualidade, no sentido de ser melhor e mudar aspectos de nossas características e natureza, ou seja, para aprimorar o que está constituído da pessoa que somos. Esta constituição, porém, é desconhecida. Ainda, ao termo Autoconhecimento, há linhas de pensamento que o associa a um processo de contraposição ao que é material; neste aspecto, o autoconhecimento vai remeter o indivíduo a tentar identificar-se com o Ser transcendente (que transcende a natureza física das coisas; metafísico).

Para nós, do Tempo de Ser, o Autoconhecimento começa quando o homem passa a observar a Si mesmo, desenvolvendo saberes de “Si mesmo”, ou, mais especificamente, quando começa a entender seu modus operandi. Assim, propomos estudos das fases existenciais, que compreendem a fase de 0 a 3 anos, a puberdade, a adolescência, o funcionamento autonômico do cérebro, padrões de comportamento entre outros.

Ao observar a sociedade contemporânea, podemos perceber que somos diariamente condicionados a olhar para fora, e isso ocorre há milhões de anos. A antropologia relata que o homem primitivo, em sua absoluta ignorância, enfrentou uma série de desafios relacionados à sobrevivência, tais como: fome, sede, perigos, frio, moradia, instrumentos de proteção etc. (a Era do Fogo). Ocorre que, com o convívio e em contato com o meio ambiente, pouco a pouco, a inteligência do ser humano o levou a conquistas externas: descobriu o fogo, aprendeu a caçar, a viver em grupo, a manipular a pedra e transformá-la em ferramentas. E assim foi desenvolvendo o aparelho neurológico; o cérebro automaticamente registrou tudo o que era necessário para a preservação da espécie: nutrição e reprodução. De forma inconsciente desenvolveu a capacidade de sobreviver. E assim, até os dias atuais – e de forma inconsciente – o homem desenvolve formas externas de existir, cada vez mais aprimoradas, na busca de suprir necessidades fisiológicas e necessidades que lhe são desconhecidas.

Vivemos na busca desenfreada de melhorar tudo o que está ao nosso redor na tentativa de criar algo novo, algo que nos produza um “frio na barriga”, um frenesi, que nos supra temporariamente, e logo depois estamos em outro ciclo de buscas, ou seja, estamos sempre em busca de ocupações que nos impeçam de lidar com o desconhecido que habita nossa intimidade, – a própria essência.

No Tempo de Ser, entendemos que surge, na espécie humana, mais um desafio, e que não mais está na superação exterior. A área emocional, no homem, encontra-se primitiva. Embora conheça muito do mundo exterior, o homem não conhece a si mesmo; está soterrado de informações, culto, porém inflexível, e cada vez mais insatisfeito, apresenta inflexibilidade nos relacionamentos e fortes oscilações de humor. Desta forma, passa a incorporar, inconscientemente, comportamentos pertinentes à busca pela sobrevivência física e/ou emocional. Sem que a inteligência se dê conta, vive uma dicotomia entre o que pensa e o que sente.

Como fazer o autoconhecimento?

O Tempo de Ser considera que, para desenvolver o Autoconhecimento, são necessários: um ambiente, um método, investimento de tempo em Si próprio, e, após um período de aprendizagem mais avançada, uma atividade prática e diferenciada realizada em grupo.

Faz parte do método proposto pelo Tempo de Ser olhar para nossas projeções como recurso para o autoconhecimento. A projeção é a forma como interagimos com o mundo e nos distinguimos dele, o que justifica a importância de uma prática em grupo. É importante relatar que, apesar de uma parte da metodologia do Autoconhecimento ser realizada em grupo, o Autoconhecimento é uma realização individual.  Mas é no grupo que temos a possibilidade de ressignificar sentimentos e emoções, através do olhar do outro. Segundo Carl G. Jung, conhecemos a nós mesmos através das pessoas, coisas e situações que nos agradam e/ou desagradam. A projeção é a forma como a psique (a parte Espiritual ou Inteligente do homem) interage com o mundo e se distingue dele. Ela pode ser positiva ou negativa; sobretudo, ela é um mecanismo psíquico geral, perfeitamente normal. Ainda sobre Jung, temos a famosa frase: “Até você se tornar consciente, o inconsciente irá dirigir sua vida e você vai chamá-lo de destino”. E para concluir, temos o filósofo Sócrates que, no século V a.C, escreveu: “Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o universo e os deuses”. Dita em um período tão distante e tão contemporâneo!

Onde desenvolver o autoconhecimento?

Para desenvolver a metodologia, temos espaços preparados com estrutura física e metodológica, denominados Núcleos, nas cidades de Bauru, Birigüi, Londrina, Presidente Prudente, São José dos Campos e São Paulo, que contam com ambientes teórico, laboratorial e prático; estruturados em módulos que variam de acordo com o aprofundamento das etapas do Autoconhecimento: I, II e III.

Qual a temática abordada?

As temáticas abordam desde a origem da vida, da formação cerebral no homem, e o que o distingue dos demais animais; a formação da pessoa humana, desde a formação da criança até a repercussão dessa formação no sentir, na tomada de decisões, na idade adulta e na velhice.

Qual o público alvo para o autoconhecimento?

Todos que apresentam a síndrome do desconhecimento interior, manifestos de forma mais ou menos constante, através dos seguintes sinais e sintomas: angústia, ansiedade, insatisfação, estresse, medo da solidão, tensão, sensação de estar perdido em si mesmo, oscilação de humor, necessidade de justificar tudo que ocorre consigo a partir do exterior; reações e comportamentos que já gostaria de não ter e para aqueles que ainda se interessam em conhecer como funcionam.

Quais os benefícios do autoconhecimento?

Quando o homem conhece o funcionamento de sua vida interior, adquire a capacidade de direcionar os mecanismos automáticos. Ao desenvolver o olhar auto-observador, identifica por que pensa o que pensa, sente como sente e faz o que faz.

Direcionando o olhar para si mesmo, percebe a repetição de comportamentos em determinadas situações, podendo controlá-los e até mesmo modificá-los. Desenvolve a capacidade de ser flexível e trabalhar diferentes ideias, bem como solucionar desafios inesperados e pensar sobre diferentes ângulos. Percebe que é possível reconsiderar opiniões, controlar impulsos, manter o foco e responsabilizar-se por seus atos. Tal fato provoca melhoras significativas na qualidade de vida, desenvolvendo empatia e resiliência, incialmente para consigo mesmo e, consequentemente, para com o outro, melhorando a tolerância e o respeito para consigo mesmo; o que proporcionará impacto direto na sua convivência e relações, pessoais e profissionais.

Por Juliane Isper Campos e Silvia Bossoni – Educadoras de Essencialidades do Sistema Tempo de Ser

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